"Nasci num país
que me indicava o sentido oposto e, através de um caminho longo e repleto de
obstáculos, construí uma carreira de sucesso. De longe parecia impossível, de
perto a cada dia estávamos mais certos. Não era para passar de um sonho o que hoje
brindamos como realidade. Com suor, sorrisos e lágrimas aconteceu comigo o que
poderia acontecer com qualquer brasileiro." Gustavo Kuerten
Este blog estava
desativado há mais de um ano. Por falta de tempo ou motivação acabei parando de
escrever aqui. Porém, depois de ler a autobiografia do Guga, não só fiquei
motivada, mas me senti na obrigação de escrever uma resenha sobre o livro.
Afinal, estamos falando do maior jogador de tênis do Brasil e um dos maiores do
mundo!
Primeiramente, para
ler este livro não importa se você gosta ou não de tênis, nem se você é
brasileiro ou estrangeiro. "Guga - Um Brasileiro" é a história de
vida de Gustavo Kuerten, sua trajetória no tênis, seus altos e baixos no
esporte. O que eu acho mais interessante nessas autobiografias de tenista é o modo como eles descrevem os jogos mais importantes de
suas carreiras. Quem assiste a partidas de tênis muitas vezes não entende como um
tenista consegue uma virada espetacular, onde ele acha motivação para virar um
jogo perdido. Ao mesmo tempo, também não compreende como ele tem a partida na
mão e deixa a vitória escapar. Guga responde a todas a essas dúvidas sobre seus jogos.
O livro tenta fazer
o leitor compreender como é solitária a vida de um tenista e como que, para ser
um campeão, o lado emocional é o que faz a diferença. Confiança é o sentimento
de ordem. É interessante pensar como tudo pode fazer a diferença numa partida, um vento mais agressivo ou uma superstição quebrada ou um olhar amigo. O Guga tricampeão de Roland Garros é uma soma de todos esses fatores
incontroláveis mais o apoio constante de sua família e seu técnico, que foi
mais um anjo da guarda, Larri Passos.
"Guga - Um
Brasileiro" é também uma aula de história de tênis. Guga pegou uma fase
de muitas mudanças no circuito da ATP (Association of Tennis Professionals).
Inclusive, uma dessas mudanças foi decisiva para a sua carreira. A Associação fez com que a participação em Grand Slams, Master 1000 e um número menor em Master 500 fosse obrigatória, aumentando o
número de torneios disputados por um tenista e, consequentemente, provocando um
aumento de desgaste físico. Talvez este tenha sido um dos principais motivos pelo qual
Guga se machucou tão precocemente.
Eu acredito, porém,
que o aspecto mais importante desse livro seja o modo como ele relata a
dificuldade para ser um tenista no Brasil. É claro que depois do Guga as coisas não são tão ruins, mas ainda assim o tênis brasileiro vive de talentos
extraordinários e muita boa vontade. Toda a luta do Guga para achar uma quadra
para jogar, achar alguém que estivesse disposto a oferecer patrocínio e o
preconceito que ele sofreu por ser um brasileiro se destacando no circuito são
relatados. O descaso da Confederação Brasileira de Tênis também não passou
despercebido.
Muita coisa vem
mudando nos incentivos ao tênis brasileiro. Hoje temos o Aberto do Brasil em
São Paulo e não mais na Costa do Sauípe, temos o Rio Open (maior torneio
sul-americano de tênis) e o WTA Brasil Tennis Cup para as mulheres. Os próprios
programas de TV têm feito mais reportagens sobre os talentos brasileiros no
esporte. Tudo isso ainda não é suficiente e o livro mostra como o caminho é árduo
para se chegar a uma situação ideal do tênis no nosso país.
Enfim, o livro é uma
leitura fácil, gostosa e super valiosa.
Abaixo, para matar um pouquinho a saudade, o vídeo dos últimos pontos daquela final de 2001 de Roland Garros em que Guga
conquistou seu terceiro troféu.
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