No início de fevereiro, canais de televisão franceses começaram a veicular uma propaganda em que acusam os atletas espanhóis de doping. Vejam só:
Para quem não entendeu, o comercial (não sei de quê) mostra Rafael Nadal urinando em um tanque de gasolina. O “combustível” faria o carro andar mais rápido.
Eu achei que o assunto fosse morrer por aí, porém, ontem, o tenista voltou a falar sobre o ocorrido a uma emissora de televisão espanhola e ressuscitou o caso. Segundo ele, os exames antidoping são brutais, não importa onde os tenistas estejam, eles sempre tem que se submeter à investigação e ainda afirma: “ É um atentado contra a privacidade dos esportistas”.
Diante disso, resolvi pesquisar sobre como é feito o exame antidoping e, principalmente, o que é considerado substância ilítica. Aqui vai:
O exame antidoping é feito durante ou depois de uma competição. Normalmente, os atletas escolhidos são aqueles que tiveram (ou estão tendo) destaque no torneio. Assim, eles são notificados e devem entregar a urina para um membro/fiscal do comitê organizador. A segurança é tão séria que durante o exame o esportista é acompanhado por um fiscal do mesmo sexo e a embalagem é lacrada e também acompanhada do fiscal até o local em que será analisada. Caso o resultado for positivo, o exame deverá ser refeito e só se houver uma segunda confirmação, a ITF e ATP – no caso do tênis, é claro – serão notificadas e uma audiência será marcada para decidir a penalidade do tenista.
| Principais substâncias e seus efeitos Estimulantes Como o próprio nome já diz, essas drogas estimulam o sistema nervoso, reduzindo a fadiga e aumentando o poder de alerta, de competitividade e de agressividade. Elas podem ainda aumentar o poder de explosão e a performance, além de diminuir a sensibilidade às dores. Entre os estimulantes que mais aparecem nos exames podemos destacar: Anfetamina: São usadas nos esportes para aumentar a resistência, aguçar os reflexos e reduzir a fadiga. Os riscos à saúde dos atletas são consideráveis, dados os inúmeros casos de mortes durante exercícios muito pesados. Entre estes riscos podemos destacar hipertermia e paradas cardíacas, além de causar dependência Cocaína: O mais natural e conhecido estimulante. É muito usada por possuir efeitos eufóricos e diminuir a fadiga. A sua indicação como doping é controversa, já que, apesar de inicialmente dar uma sensação de conforto e energia, após algum tempo torna o seu usuário mais cansado e até depressivo. Efedrina: Usada propositalmente para doping, pode aumentar a potência, a resistência à força e a velocidade. Porém, ela tem alto índice de casos devido à facilidade de encontrá-la em remédios comuns do dia-a-dia - como descongestionantes -, além de suplementos dietéticos e estimulantes energéticos. Mais uma vez, a questão é polêmica, já que a quantidade encontrada nestes remédios e suplementos apresenta melhoras insignificantes no desempenho. Testosterona e Esteroides A testosterona havia sido proibida em 1935, mas, em 1950, foi descoberta que uma versão artificial da droga estava sendo usada para reforçar a musculatura de atletas. Desde então, o esporte tem visto um leque cada vez maior dos chamados esteróides anabólico-androgênicos (AAS , da sigla em inglês).Os AAS melhoram a performance atlética devido aos seus efeitos anabólicos, desde que o atleta também consuma a quantidade necessária de proteína. Entre os efeitos colaterais podemos destacar danos ao fígado e ao coração, distúrbios hormonais (incluindo infertilidade), alterações comportamentais e problemas psicológicos. Nandrolona: É o esteróide anabólico-androgênico mais procurado por atletas que precisam de potência e força muscular. Derivado da testosterona, principal hormônio sexual produzido no homem, tem poderosas propriedades anabolizantes. Entre seus efeitos, acelera o crescimento muscular e aumenta a massa corporal magra, a força e a agressividade. Além disso, é utilizada para a recuperação mais rápida dos treinamentos pesados. Seus efeitos colaterais são perigosos. Eritropoietina (EPO ) e transfusões de sangue Esportes de alta resistência, como maratonas, por exemplo, dependem do sistema de transporte de oxigênio do organismo. Um método legal para aumentar essa capacidade é treinar em grandes altitudes na preparação para competições no nível do mar. Porém, outros métodos mais "fáceis" são os EPO ou outros tipos de doping sanguíneos, que aumentam a capacidade de transporte de oxigênio do sangue. É o mesmo efeito de algumas transfusões de sangue, método usado antigamente, que aumentam o número de glóbulos vermelhos em circulação. Hormônio do crescimento humano (HGH) A sua popularidade é muito grande, já que é uma das substâncias mais eficazes, eficientes, difíceis de detectar e com menos efeitos colaterais. A medida em que os HGH realmente melhoram o desempenho ainda está em debate. Em adultos, que carecem dessas substâncias - já que seu organismo não mais as produz em quantidades suficientes -, a injeção dos hormônios aumenta a massa muscular e diminui a massa gorda. Apresenta, também, efeitos favoráveis sobre a capacidade de exercício, bem como melhoras na função renal e cardíaca. |
Para ler a matéria, acesse o link http://revistatenis.uol.com.br/Edicoes/71/artigo150204-1.asp
Minha opinião sobre o fato é que doping existe em qualquer lugar do mundo não importa quão segura seja a fiscalização do exame. No caso do embate entre França e Espanha, pra mim, é dor de cotovelo dos franceses por causa da ascendência espanhola – fruto de muito investimento do governo e dos atletas em melhorar o esporte no país.



