terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A polêmica do antidoping


No início de fevereiro, canais de televisão franceses começaram a veicular uma propaganda em que acusam os atletas espanhóis de doping. Vejam só:


Para quem não entendeu, o comercial (não sei de quê) mostra Rafael Nadal urinando em um tanque de gasolina. O “combustível” faria o carro andar mais rápido.

O assunto gerou um desconforto diplomático – a Espanha pediu para que o governo francês se retratasse - e um exame antidoping surpresa para Nadal. 




Eu achei que o assunto fosse morrer por aí, porém, ontem, o tenista voltou a falar sobre o ocorrido a uma emissora de televisão espanhola e ressuscitou o caso. Segundo ele, os exames antidoping são brutais, não importa onde os tenistas estejam, eles sempre tem que se submeter à investigação e ainda afirma: “ É um atentado contra a privacidade dos esportistas”.

Diante disso, resolvi pesquisar sobre como é feito o exame antidoping e, principalmente, o que é considerado substância ilítica. Aqui vai:

O exame antidoping é feito durante ou depois de uma competição. Normalmente, os atletas escolhidos são aqueles que tiveram (ou estão tendo) destaque no torneio. Assim, eles são notificados e devem entregar a urina para um membro/fiscal do comitê organizador. A segurança é tão séria que durante o exame o esportista é acompanhado por um fiscal do mesmo sexo e a embalagem é lacrada e também acompanhada do fiscal até o local em que será analisada. Caso o resultado for positivo, o exame deverá ser refeito e só se houver uma segunda confirmação, a ITF e ATP – no caso do tênis, é claro – serão notificadas e uma audiência será marcada para decidir a penalidade do tenista.

No site da Revista Tênis, eles publicaram uma reportagem e uma lista das substâncias e seus efeitos nos atletas. Abaixo, vocês podem conferir a lista.


Principais substâncias e seus efeitos
Estimulantes
Como o próprio nome já diz, essas drogas estimulam o sistema nervoso, reduzindo a fadiga e aumentando o poder de alerta, de competitividade e de agressividade. Elas podem ainda aumentar o poder de explosão e a performance, além de diminuir a sensibilidade às dores. Entre os estimulantes que mais aparecem nos exames podemos destacar:
Anfetamina: São usadas nos esportes para aumentar a resistência, aguçar os reflexos e reduzir a fadiga. Os riscos à saúde dos atletas são consideráveis, dados os inúmeros casos de mortes durante exercícios muito pesados. Entre estes riscos podemos destacar hipertermia e paradas cardíacas, além de causar dependência
Cocaína: O mais natural e conhecido estimulante. É muito usada por possuir efeitos eufóricos e diminuir a fadiga. A sua indicação como doping é controversa, já que, apesar de inicialmente dar uma sensação de conforto e energia, após algum tempo torna o seu usuário mais cansado e até depressivo.
Efedrina: Usada propositalmente para doping, pode aumentar a potência, a resistência à força e a velocidade. Porém, ela tem alto índice de casos devido à facilidade de encontrá-la em remédios comuns do dia-a-dia - como descongestionantes -, além de suplementos dietéticos e estimulantes energéticos. Mais uma vez, a questão é polêmica, já que a quantidade encontrada nestes remédios e suplementos apresenta melhoras insignificantes no desempenho.
Testosterona e Esteroides
A testosterona havia sido proibida em 1935, mas, em 1950, foi descoberta que uma versão artificial da droga estava sendo usada para reforçar a musculatura de atletas. Desde então, o esporte tem visto um leque cada vez maior dos chamados esteróides anabólico-androgênicos (AAS , da sigla em inglês).Os AAS melhoram a performance atlética devido aos seus efeitos anabólicos, desde que o atleta também consuma a quantidade necessária de proteína. Entre os efeitos colaterais podemos destacar danos ao fígado e ao coração, distúrbios hormonais (incluindo infertilidade), alterações comportamentais e problemas psicológicos.
Nandrolona: É o esteróide anabólico-androgênico mais procurado por atletas que precisam de potência e força muscular. Derivado da testosterona, principal hormônio sexual produzido no homem, tem poderosas propriedades anabolizantes. Entre seus efeitos, acelera o crescimento muscular e aumenta a massa corporal magra, a força e a agressividade. Além disso, é utilizada para a recuperação mais rápida dos treinamentos pesados. Seus efeitos colaterais são perigosos.
Eritropoietina (EPO ) e transfusões de sangue

Esportes de alta resistência, como maratonas, por exemplo, dependem do sistema de transporte de oxigênio do organismo. Um método legal para aumentar essa capacidade é treinar em grandes altitudes na preparação para competições no nível do mar. Porém, outros métodos mais "fáceis" são os EPO ou outros tipos de doping sanguíneos, que aumentam a capacidade de transporte de oxigênio do sangue. É o mesmo efeito de algumas transfusões de sangue, método usado antigamente, que aumentam o número de glóbulos vermelhos em circulação.
Hormônio do crescimento humano (HGH)
A sua popularidade é muito grande, já que é uma das substâncias mais eficazes, eficientes, difíceis de detectar e com menos efeitos colaterais. A medida em que os HGH realmente melhoram o desempenho ainda está em debate. Em adultos, que carecem dessas substâncias - já que seu organismo não mais as produz em quantidades suficientes -, a injeção dos hormônios aumenta a massa muscular e diminui a massa gorda. Apresenta, também, efeitos favoráveis sobre a capacidade de exercício, bem como melhoras na função renal e cardíaca.



Minha opinião sobre o fato é que doping existe em qualquer lugar do mundo não importa quão segura seja a fiscalização do exame. No caso do embate entre França e Espanha, pra mim, é dor de cotovelo dos franceses por causa da ascendência espanhola – fruto de muito investimento do governo e dos atletas em melhorar o esporte no país.

Um comentário:

  1. What a great article Nanda!! I think this topic is pretty interesting. Obviously this topic can be controversial and I do not necessarily agree with "doping" for sports. However, more conservative methods of doping such are increasing red blood cells and EPO has a little bit more of grey area in my opinion. Some of these methods include taking out your own blood, concentrating the red blood cells from that blood, and then injecting this blood back into your body. I question why this method is any different than high altitude training (which increases red blood cells also for the purpose of sports), but yet its still illegal. On a side note, I'm pretty interested in this "newer" therapy out right now called "Platelet Rich Plasma" (PRP) to treat sports related injuries. This involves taking out your own blood, extracting the plasma portion of the blood (which includes proteins and growth factors) and then injecting this into the area of problem. These factors in the blood are what aids the healing process. For example treating "Tennis Elbow" or lateral epicondylitis. Anyway...well written post Nanda!!

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