Antes de mais nada, parabéns a Andy Murray e Novak Djokovic. Fazer uma partida de 4hs e 50 min não é fácil para ninguém e apesar da exaustão de ambos, foi preciso muita força de vontade para fazer o que eles fizeram.
Esse foi um jogo diferente do de ontem. Hoje, a partida foi muitas vezes chata (confesso que cochilei em alguns momentos) e requereu do espectador muita paciência – e para os fãs de Djoko e Murray um coração em bom estado. Os dois tenistas oscilaram demais, cometeram ao todo 155 erros não forçados, fizeram ralis com mais de 50 trocas de bola, estudaram muito um ao outro, correram absurdamente (Murray então tadinho...) e sobreviveu quem teve melhor preparo psicológico.
Quando eu comecei a assistir ao jogo, tava no primeiro set 3/2 Djokovic com saque. Não demorou muito tempo e ele fechou em 6/3. Murray ainda não tinha entrado na partida, tava jogando umas bolinhas no meio da quadra, os golpes estavam sem potência e o saque fraco. Tudo estava indicando que o jogo seria rápido.
No segundo set, o escocês também começou mal, mas conseguiu uma recuperação incrível e devolveu os 6/3. Aí eu paro um pouco de falar do jogo para falar do estilo do Murray. O britânico, normalmente, tem um saque bem decente com uma bola alta que incomoda principalmente se for no backhand. Além disso, o cara sabe se defender como poucos, ele é quase um Nadal. Digo quase porque o espanhol não só se defende como contra-ataca e ganha o ponto, já Murray não consegue o mesmo feito. O jogo dele é de paciência, é de trocar bolinha do fundo da quadra e esperar o erro do outro. Se o oponente ataca, ele se defende. O problema é que para vencer um Slam, você não pode ficar só se defendendo, você tem que ter personalidade, assumir o risco e partir para a briga. E foi isso que Murray fez no segundo e set e empatou o jogo.
Voltando então para a análise da partida, o início do terceiro set foi bem apertado. O primeiro game então deve ter demorado uns 10 minutos, pelo menos. Porém, o esforço físico foi tão grande que lá pro meio do set os dois estavam cansados, errando bolas fáceis e terminando os games rapidamente. No final, Murray resolveu atacar e ganhou o set 7/6. Nesse momento todo mundo que estava assistindo ao jogo parou um pouco para pensar. Será que Murray iria vencer?
No quarto set, porém, o cansaço bateu no britânico e um ágil Djokovic ganhou por um fácil 6/1. E estava tudo igual de novo. No último set, Murray voltou a ser guerreiro, saiu de 2/5 para 5/5, teve break point, não aproveitou e Djokovic venceu a partida com 7/5.
Eu gostaria de saber o que Lendl falou para o pupilo quando eles se viram no vestiário.
O jogo não foi bonito como o de ontem, não teve tanta qualidade e técnica, mas teve drama de sobra. Foi muito legal ver a recuperação dos dois ao longo da partida, como eles cansavam, mas sempre encontravam uma motivação para continuar. Djokovic e Murray são dois exemplos de tenistas.
Palpites para domingo? Não tenho. Só sei que, como todo Djokovic x Nadal, será um jogaço.
Amanhã tem a final das meninas. Acho que a experiência da Sharapova pode fazer a diferença, mas a Azarenka tá jogando muito tênis. Será outro jogaço.
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