quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Orfã


Primeiro post do primeiro blog. Não sei muito bem por onde começar, mas posso dizer que me sinto honrada de escrever sobre Andre Agassi. Não por ele ter sido um grande tenista – também por isso, é claro – mas por eu ter acabado de ler a sua autobiografia e ter descoberto a pessoa incrível por trás do grande tenista. Como eu sempre gostei de escrever sobre pessoas sobre as quais eu posso elogiar, então aqui vai (cuidado, contém muitos spoilers).

Começando pelo título, Open dá o tom. Nessa autobiografia, Agassi revela-se, desnuda-se. E mais, ele desmistifica o mito criado em cima da sua aparência, o punk, o rebelde, o metido. Ele nos mostra que image is more than everything.

Agassi fala sobre tudo e sobre todos. Me impressionou a sinceridade com a qual ele tratou seus “personagens”; o pai violento e grosseiro, a prisão que era a academia de Nick Bollettieri, a escola – outra prisão - que frequentava em Bradenton,  os preparadores físicos que não conseguiam fazer um bom trabalho, sua relação aberta com Wendi e, principalmente, a relação com Brook Shields (um casamento fadado ao fim desde o início) e, last but not least, a sua relação de ódio (e amor?) com o tênis.

Isso aí merece um parágrafo especial. Como alguém que odeia o que faz, consegue fazê-lo com perfeição? 
No caso de Agassi, sua motivação inicial (porque sempre tem que haver alguma motivação) foi não decepcionar o pai tirano. Até que ele perdeu uma partida e sentiu que mesmo não gostando daquilo, ele não queria perder. Perder representa fracasso e fracassar depois de treinar horas, dias uma coisa que você odeia é demais. Na minha oponião, o que mais motivou Agassi em toda a sua carreia foi o ego. Devido ao seu visual meio estranho, diferente dos padrões, a imprensa sempre o odiou. Era difícil receber boas críticas até quando jogava bem, porque alguém sempre falaria do seu penteado (ou careca) ou da sua roupa ou do seu comportamento. Os outros jogadores também nunca fizeram muita questão de se enturmar (nem ele) até porque havia um grande abismo entre Agassi e o resto. Eles faziam algo que gostavam, ele não. E rivalidades sempre acontecem. Então nada melhor do que vencer e calar a boca da imprensa e dos adversários. Mas não foi só isso. Após um encontro com Nelson Mandela, Agassi resolveu criar uma fundação / escola na periferia de Las Vegas e essa se tornou a sua melhor motivação (e mais bonita, não é verdade?) e assim, mais maduro e casado com a Steffi, ele voltou a ganhar ( por um motivo mais do que nobre).

Agassi fala bastante do período negro da sua vida, das drogas, da depressão e como seu time esportivo e de amigos (as vezes isso se misturava) o ajudou a sair do buraco.

O livro é uma lição de vida. Do que fazer e do que não fazer. Agassi mostra o pior e o melhor lado do ser humano. E, não bastasse ler uma história de vida pra lá de interessante, o leitor ainda fica sabendo um pouco mais sobre o backstage do tênis.

Eu terminei o livro me sentindo orfã, com vontade de dar um abração no Agassi e na Steffi, de estudar na escola do Agassi e de jogar um Slam.


2 comentários:

  1. Excellent article Nanda! I had no idea his story was like this!

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  2. Excellent article, Nanda! I had no idea his story was like this!

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